Aposta da Cisco em servidores blade é arriscada, dizem analistas

17/03/2009

São Francisco - Caso a Cisco anuncie seu primeiro servidor, ela será apenas mais uma grande empresa a apostar pesado em um novo negócio.

A expectativa de a gigante de redes Cisco entrar no mercado de servidores é grande, apesar de alguns analistas considerarem a movimentação indiferente.

Ainda que nenhuma mudança de linha de produtos no passado seja comparável com o plano e contexto histórico da Cisco, experiências de outros fornecedores podem dar lições para a empresa, segundo alguns analistas.

A Intel não fabricava chips para servidores até lançar o Pentium Pro em 1995. A companhia tinha foco no PC enquanto empresas como IBM e Sun construíam os computadores e processadores que rodavam aplicações empresariais. Naquele momento, os PCs eram usados apenas para funções menores como imprimir. Ao subir a capacidade do PC e aproveitar as vantagens da produção em larga escala, CPUs de servidores mostraram-se uma ótima estratégia da Intel e, também, da tecnologia.

O Pentium Pro não é uma estratégia tão ousada quando a entrada da Cisco no mercado de servidores, aponta Nathan Brookwood, analista da Insight64. O negócio da Intel já era CPU, eles não estavam entrando em uma nova linha.

Ele cita outras tentativas da Intel que não foram bem sucedidas. Durante os anos 1990, a empresa criou novos processadores para handhelds como os desenvolvidos pela concorrente Arm (StrongARM chips), além de ter criado componentes óticos para redes de alta velocidade. As duas iniciativas, fora do expertise da Intel, não ganharam tração e acabaram vendidas.
"Teria que dar uma nota ruim nessa movimentação," afirma Brookwood.

Algumas empresas podem usar o seu tamanho para garantir sucesso das iniciativas. A Microsoft faz isso com regularidade, defende o analista Roger Kay da Endpoint Technology Associates. A empresa de software tentou entrar no segmento de games em 2001 com o XBox e batalhou por anos contra marcas como Sony e Nintendo. Hoje, o XBox 360 possui uma grande liderança sobre seu competidor direto, o PS3 da Sony, mas após vários anos de investimentos e perdas. Kay duvida que a Microsoft tenha tido lucro nos vários anos de investimento na plataforma.
"Isto é algo que a Microsoft faz melhor do que os outros, pois eles têm dinheiro e inteligência," disse Kay.

Para ter successo em uma nova área é preciso conhecê-la. É por isto, defende Kay, que a Dell sofreu muito com a sua movimentação fracassada no setor de impressoras. Quando a empresa texana decidiu dificultar a vida da HP na produção de outro componente de hardware, a Dell não contava com a força da marca da concorrente, sua propriedade intelectual, marketing e sistema de distribuição.

"Eles foram superficiais a achar que era um mercado similar aos PCs e não era," acrescenta Kay.

Competição
O maior desafio não é a tecnologia de um novo setor, mas os competidores que você tem pela frente - algo que a Cisco vai encontrar com abundância em servidores.

"Você pode ser o maior em seu nicho, mas quando tenta entrar em outros segmentos, especialmente um que não está tão próximo do seu... já há um maior por lá e será difícil tirá-lo dessa posição," acrescentou Brookwood.

Se realmente entrar no mercado de servidores, a Cisco vai encontrar um grupo muito mais forte de competidores do que no mercado de redes. As companhias que desafiavam a Cisco em redes - 3Com, Cabletron  e Bay Networks (adquirida pela Nortel) - frequentemente criaram estratégias erradas para o mercado. Coisa que a HP e a IBM tendem a não fazer.

Tendo em vista esse contexto, o analista Tom Nolle da CIMI duvida que a Cisco vai tentar construir servidores tradicionais.

"A Cisco está sendo incrivelmente ingênua se quiser lançar um servidor blade tradicional para competir com IBM, HP e Dell, e eu acho que os vendedores dela já disseram isso," diz Nolle.
Como recursos computacionais ganham uma porção muito maior do orçamento de TI do que rede, seria uma batalha para a Cisco ditar os gastos a partir da rede, defende o analista. "Você não quer brigar com a IBM ou a Microsoft em uma grande compra," diz.

É mais provável que a Cisco venda servidores blade que não são exatamente servidores, mas plataformas computacionais que fazem trabalhos relevantes para as redes. Isto seria, em parte, um movimento defensivo. Se a Cisco não colocar funções como colaboração e comunicação unificada dentro da sua plataforma, outras companhias o farão.

Historicamente, as melhores oportunidades estiveram em territórios não explorados, como quando a IBM foi pioneira em LANs com SNA (System Network Architecture) no início dos anos setenta, disse Nolle. A empresa dominou o campo dentro dos anos oitenta.

Stephen Lawson, editor do IDG News Service, São Francisco

Site: IDG Now!
Data: 16/03/2009
Hora: 11h11
Seção: Computação Corporativa
Autor: ------
Link: http://idgnow.uol.com.br/computacao_corporativa/2009/03/16/aposta-da-cisco-em-servidores-blade-e-arriscada-dizem-analistas/